Como o orgulho e a vaidade impedem seu crescimento

23 Jul, 2017

Preso ao passado você não consegue aceitar o fluxo da vida.

Como o orgulho e a vaidade impedem seu crescimento

23 Jul, 2017

Preso ao passado você não consegue aceitar o fluxo da vida.
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m uma de minhas meditações, estava estudando um pouco a matriz do orgulho. Como ela tem segurado a evolução da consciência neste planeta! Eu me lembro de uma passagem de um filme que vi há muito tempo chamado O Advogado do Diabo. No final, o diabo falava: “A vaidade é meu pecado predileto”! E se você for sincero consigo vai ver que o que te impede de se arrepender e perdoar é a sua vaidade. É ela quem sustenta a culpa. É a vaidade a mãe da vergonha.

Tanto a vergonha quanto a vaidade são aspectos do orgulho que, como toda matriz do eu inferior, se manifesta em camadas de defesa para proteger a dor que a pessoa sentiu e com a qual não quer mais entrar em contato. Por exemplo, no caso do orgulho, a manifestação mais superficial pode ser a arrogância ou a prepotência, que são relativamente fáceis de lidar. Basta falar que elas não são tão boas quanto acham, que rapidinho já saem da frente. A vaidade, porém, não é tão fácil de tirar do caminho, porque ela costuma sustentar um profundo complexo de inferioridade – um outro aspecto do orgulho, assim como a superioridade também o é.

Podemos traduzir a vaidade como um profundo fanatismo, ou seja, um apego obstinado a um ponto de vista. Se existe vaidade, existe obstinação e se existe obstinação, existe medo. Este tripé sustenta uma camada de proteção que chamamos de autoimagem, ou seja, sustenta a falsa ideia de quem é você. Na frente dele está a vaidade, que é a filha predileta do orgulho. Em si, a vaidade é uma manifestação da própria distração o que a torna tão querida do mal porque o ego, o eu consciente, se distrai com sua própria vaidade. Ele se acha o melhor, o sabedor do caminho e para manter a autoria das coisas e alimentar a ideia de eu, ele precisa receber energia do outro.


“Este tripé sustenta uma camada de proteção que chamamos de autoimagem, ou seja, sustenta a falsa ideia de quem é você. Na frente dele está a vaidade, que é a filha predileta do orgulho.”


É claro que este mecanismo de defesa se mantém porque existe dor no sistema. A dor não é uma defesa: a dor é a dor. Foi machucado, tem dor. E se tem dor, tem todas essas matrizes do eu inferior tentando protegê-la para não ter que sentir novamente. Eu digo que, na verdade, o medo que sentimos é reeditar a ferida que já existe e está presente no sistema.

Todas as matrizes são produtos da sua identificação com o corpo. Uma das manifestações do corpo é a sua criança ferida, essa instância do seu psiquismo, esse aspecto da sua personalidade que foi moldado pelo que você aprendeu no mundo e pelos choques de exclusão, de humilhação, abandono e rejeição que você viveu. Por conta disso, sua mente ficou fixada ali. Você cresceu, mas seguiu acreditando ser essa criança. Em termos mais objetivos, essa criança é a sua história. Você está fixado na sua história, no seu passado, está encantado com ele. Nesse encantamento, acredita ser essa criança que precisou criar mecanismos de defesa.

Somente quando conseguir se livrar do passado, podendo perdoar e agradecer tudo o que viveu, poderá se libertar desses mecanismos de defesa, da necessidade de se defender do que a vida lhe traz, quer seja através do medo, da obstinação, da vaidade ou do orgulho. Somente quando se libertar em algum grau da identificação com a sua história e dos mecanismos de defesa que criou, poderá abrir espaço para uma fagulha de humildade.

Essa fagulha é que pode realizar o milagre de fazer com que você ore de verdade, permitindo que diga sim para a vida. Preso ao passado, estará rendido a um não inconsciente que resiste ao fluxo positivo e faz com que crie – sem perceber – situações que lhe causam sofrimento. A vaidade, a obstinação e o medo estão a serviço dessa intencionalidade negativa que te fazem dizer de forma consciente: “Por favor, senhor, guie meus passos”, mas num nível inconsciente, permitem que outra voz siga dizendo: “Quem guia meus passos sou eu mesmo, eu sei o que é bom para mim”.

Quando você puder progredir em algum grau na libertação do passado e, consequentemente, da intencionalidade negativa, conseguirá pedir com verdade: “Guiai os meus passos, Senhor. Eu estou cansado desse jogo de ignorância, de andar nestes círculos de sofrimento. Tudo que eu tenho tentado através da minha vontade pessoal tem me levado a repetir o ciclo vicioso do amor imaturo. Por favor, senhor, me ilumine, derrame sua graça sobre mim e não me teste mais, estou cansado de brigar.


“A entrega implica estar receptivo para poder receber o que está sendo oferecido porque, se estiver protegido, não aceitará o que existe pra você.”


Seu jogo é me iluminar, então como posso estar sem sua luz? Por favor, Senhor, faça-me um contigo. Liberta-me dos karmas, produtos da ação equivocada na busca da felicidade. Eu tenho tentado ser o autor para receber migalhas de reconhecimento do outro. Liberta-me desta miséria”.

Quando você ora de verdade, você recebe, não importa onde esteja. Quando chama por Deus de verdade, é atendido. Este é um aspecto da entrega, em que você começa a abrir os portais da simplicidade, da aceitação e da possibilidade de se entregar para o fluxo da existência. A entrega implica estar receptivo para poder receber o que está sendo oferecido porque, se estiver protegido, não aceitará o que existe pra você. Se a sua xícara já está cheia não há como a divindade derramar seu néctar dentro dela. A entrega implica estar vazio e poder pedir para que “seja feita a Vossa vontade”. A vontade divina quer fazer de você um instrumento do amor e todas as suas resistências estão a serviço de manter-se como um instrumento do ódio por conta do seu passado e das marcas que carrega.

A verdadeira simplicidade é um poder da alma que se revela quando você pode ser iluminado pelo perdão, porque enquanto não pode perdoar precisará do orgulho para se proteger. A falsa simplicidade, a submissão, é outro aspecto do orgulho que segue te mantendo preso ao jogo de sofrimento.

Assim, quando você já for iluminado pelo perdão e puder agradecer ao passado, não precisará sustentar nenhuma máscara – estará livre para ser você mesmo e não terá que fingir ser alguém para agradar, para conseguir alguma atenção. Você não precisará ser importante, ter reconhecimento, porque tudo isso é uma forma de aliviar as dores que carrega, já que o que mais quer é ser reconhecido pelos seus pais e pelas pessoas que falharam em reconhecê-lo no passado.

Quando puder curar essas feridas do seu corpo, estará pronto para ser autêntico. Somente uma pessoa autêntica é uma pessoa simples e somente pessoas simples podem se entregar para o fluxo da vida. Você só se entrega para esse fluxo quando abre mão da autoria que é o principal produto da intencionalidade negativa e te distrai com a publicidade e toda a necessidade de chamar atenção porque tem uma criancinha carente dentro de você. Como vamos lidar com essa criança e ajudá-la a se livrar do passado? Cada caso é um caso, mas a necessidade é a mesma: encontrar o seu lugar no mundo. E como você o encontra? Colocando seus talentos a serviço do amor, podendo, assim, se sentir verdadeiramente pertencendo, verdadeiramente preenchido e alegre.

Que você possa ser um instrumento do amor e andar pelo caminho do coração. Que todos os seus talentos estejam a serviço do amor e não da criança ferida que precisa se vingar do mundo.

 

“Enquanto não for possível compreender a mecânica do ego, você será enganado por ele”
Sri Prem Baba

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