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(Músicos tocam uma canção que fala da água)

Pergunta: Alguns dizem que a água é a fonte da vida. Eu sinto que a água é uma manifestação da própria vida. Ao cantar para a água é inevitável que eu me recorde da crise hídrica que se passa no continente americano. O sintoma se manifesta no continente americano, mas a doença é do planeta. É um desequilíbrio no ciclo da vida. Embora o tema seja bastante complexo – envolve estruturas sociais, políticas e econômicas; uma série de erros ao longo do tempo -, na raiz existe a negação da Verdade; a negação de alguns aspectos da Verdade, como os sentimentos. Isso porque a água é uma manifestação da vida que representa os sentimentos mais profundos.

Eu tenho dito que a raiz da crise que manifesta em vários setores em nosso mundo, inclusive a crise hídrica, é devido ao esquecimento da espiritualidade; devido à desconexão com o Grande Espírito. Olhamos para as coisas e não enxergamos o espírito nelas. A gente não consegue ver o Espírito nem mesmo num ser humano semelhante a nós. Temos dificuldade em reconhecer o Grande Espírito no outro. O nosso olhar está focado nas mazelas; focado na pobreza do pequeno eu, que alimenta o nosso encantamento com a crença de que somos também um pequeno eu. É um encantamento coletivo. Às vezes eu chamo de inconsciência coletiva.

Se não podemos perceber o Grande Espírito em outro ser humano, que dirá na natureza, ou nos elementos da natureza? Essa inconsciência coletiva faz com que vejamos somente a casca, somente a superfície. Ao longo do tempo aprendemos essa forma estúpida de transformar tudo em dinheiro; em instrumento para dar um falso poder. O materialismo dá uma falsa ideia de poder. Desenvolveu essa correria pelo lucro e nos fez esquecer a Realidade maior que nos habita; nos fez esquecer do amor, do respeito… O dinheiro é um grande poder, é uma energia realmente poderosa que faz parte do jogo neste mundo. Dependendo do ângulo que você olha, você vê que também é Deus. Se você usar sabiamente essa energia, vai auxiliar a sua jornada; mas se você não souber usar, ela pode te destruir.

É o que tem acontecido com o nosso mundo. Estamos o destruindo porque não estamos sabendo usar o dinheiro. Damos ao dinheiro um valor emocional e acreditamos que ele vai trazer a felicidade que esperamos; vai preencher o vazio. Mas essa visão a respeito do dinheiro é distorcida. O dinheiro é um instrumento de troca que deve estar a serviço do Espirito. Essa distorção tem gerado muito sofrimento no nosso mundo. Distorção significa que a Verdade foi encoberta por um véu. A Verdade ou a Realidade objetiva não é percebida. E essa distorção pode se manifestar em todas as áreas da vida. Como nesse exemplo de uma pessoa que me escreveu uma carta falando que ela está tomando consciência do quanto a mentira é forte na vida dela e me pergunta:

Pergunta: Como faço para me curar do vício da mentira? É possível resgatar uma verdade que eu nunca conheci?

Prem Baba: Muitas vezes eu utilizo a palavra resgate, mas talvez ela não seja apropriada nesse caso, porque a Verdade sempre existiu. Ela está aqui agora e sempre existirá. A Verdade esteve presente no início, está presente aqui agora e estará presente no fim, embora ela mesma não tenha início e nem fim. A Verdade é. Assim como o amor é. Assim como você não pode aprender a amar; o que você pode fazer é remover o ódio e aí o amor se revela. A mesma coisa com relação à Verdade: o que você pode fazer é remover a mentira que aí a Verdade aparece.

Certa vez alguém disse: “A Verdade vos libertará”. Eu tenho constatado que liberta mesmo. Tanto que eu coloco o valor da honestidade como o mais urgente e necessário em nossa jornada evolutiva. A honestidade é uma forma do amor, é uma expressão do amor mais urgente e necessária neste momento. Eu coloco como primeiro valor porque considero realmente que seja a base, que seja a fundação do templo da consciência. Se você não pode dar passagem para esse valor, seu processo evolutivo está interrompido.

Se você estiver atenta, vai perceber que está andando em círculos; você não está se desenvolvendo nem como pessoa e nem como consciência. Sem honestidade você só pode mesmo crescer (se é que se pode chamar de crescimento) no mundo material. Até um determinado ponto você cresce. Alguns chegam a construir impérios com base na mentira, mas existe uma lei que determina que todas as construções que não têm lastros na Verdade precisam cair, porque são como capas temporárias que em algum momento precisam ser rasgadas. Isso porque a Verdade é a Essência; é aquilo que podemos chamar também de Deus. Se a gente segue para uma visão onde tudo é Deus, vemos inclusive a mentira como Deus, mas é um aspecto distorcido.

Tem pessoas que desenvolvem riqueza para fugir da pobreza. Essa é uma forma de mentira porque ela não pode encarar ainda dentro dela esta pobreza. Ela sai correndo atrás da riqueza e se não tem uma imagem dentro dessa área que a impeça, ela progride. Mas em algum momento essa riqueza tem que cair para que ela possa encarar o medo que tem da pobreza. E aí poder ser rica de verdade, porque a verdadeira riqueza nasce da plenitude. Nasce da Verdade e não da máscara; não da mentira.

Então não cabe perguntar se é possível resgatar a Verdade; não existe essa possibilidade. A Verdade sempre está presente. A questão é você ter a disposição para encarar essa Verdade que significa abrir mão das mentiras e lidar com as consequências. Você diz que não se sente merecedora do amor porque vive mentindo, mas perceba as várias partes do círculo vicioso; você não se sentir merecedora de amor porque está mentindo é outra parte do círculo vicioso da mentira.

A mentira é uma prisão. Por trás da mentira está o medo. Você tem medo de sentir algumas coisas. Você tem medo de falar a verdade e não dar conta das reações. Mas dessa forma você está perdendo uma grande chance, que é a chance de evoluir nesta encarnação. Lembre-se que a vida neste planeta é como uma bolha de sabão: quando você menos espera, acabou o jogo. Ao mesmo tempo, é claro que você tem que ter estrutura de ego, tem que ter estrutura emocional para lidar com esses sentimentos. Você acredita que não dá conta da Verdade. Você não dá conta de ser honesto consigo mesmo e consequentemente com o outro. Mas será que isso é verdade?

Investigue melhor esse medo. Permita-se conhecer as histórias que esse medo te conta. As fantasias do que pode acontecer caso você resolva ser honesto. Talvez você passe alguns apuros mesmo, porque tem “mentiras” e “mentiras”; tem algumas que são realmente, como se diz no Brasil, cabeludas.

Vem-me a mente a história de um rapaz que resolveu falar a verdade para a mulher dele sobre o que sentia por ela. Ele entendeu esse ensinamento de que tinha que ser honesto com ela e resolveu abrir o jogo. Falou que a odiava; que jogava todo o ódio dentro dela quando transavam, porque era dependente dela já que ela o bancava financeiramente; porque ele era muito inseguro e não dava conta da própria vida e coisas assim. Ela também é minha discípula e chegou para mim transtornada: “Prem Baba eu quero matar aquele cara. Eu só não matei ainda porque eu fiquei paralisada. Eu só não me movi ainda porque eu fiquei em choque com o que ele falou, mas eu estou realmente planejando como eu vou matá-lo.” Aí eu falei para ela: “Eu compreendo. Compreendo! Mas talvez você não tenha recebido uma declaração de amor assim há vidas. Talvez você nunca tenha recebido uma declaração de amor tão honesta. Eu sugiro que você também seja honesta com ele”. E ela falou então que, na verdade, sentia atração pelos amigos dele (risos); que ela transava com ele pensando nos amigos. Ou seja, entraram no inferno.

A Verdade os levou para o inferno, mas pouco a pouco, eles foram se tornando tão amigos e ajudando um ao outro tão honestamente e hoje são um casal muito feliz, um casal exemplar. Atravessaram esse deserto da mentira. Não é fácil porque, na verdade, quando ele falava que não dizia para ela a verdade porque tinha medo da reação dela, isso é somente um fragmento da verdade. No mais profundo ele tinha medo do que ia acontecer com ele; o medo de perder ela bancando a vida dele; medo de perder o canal de expurgo do ódio dele; medo de encarar a vulnerabilidade de estar nesta situação.

Esse é um exemplo de uma verdade bastante desagradável; uma verdade relativa do pequeno eu. Não é ainda a Verdade do Eu maior – que acabei de descrever, que não tem início, meio e fim, mas que está em tudo -, mas é mais verdade do que a máscara. Porque a máscara não se compromete com a Verdade em nada; nem com a verdade relativa e transitória do pequeno eu e nem com a Verdade permanente do Eu maior. Mas se você está com esse medo da Verdade é porque claro que está precisando lidar com esse aspecto desagradável da verdade transitória do pequeno eu. Mas ate quando você vai conseguir ficar na mentira?

Uma das principais consequências ou sintomas e efeitos colaterais da mentira é a doença física. O corpo começa a adoecer; todo o metabolismo começa a se desequilibrar. Quanto mais tempo você permanece, mais doenças físicas você começa a ter. Eu não estou te amedrontando não. Não quero te forçar a falar a verdade porque eu sei que tudo tem seu tempo. Eu estou só fazendo uma leitura da realidade e em termos macro, o fato de a gente estar enquanto humanidade por tanto tempo na máscara – suprimindo sentimentos, suprimindo a Verdade, (toca um sino no salão), está tocando o sino no planeta; desiquilibrando os ciclos das águas, pegando o meridiano dos rins, da bexiga, do planeta. E esse é só um sintoma. Só um. A crise hídrica é somente um pequeno sintoma. E por trás da crise hídrica está a mudança climática, mas a mudança climática também é um desequilíbrio no ciclo da vida.

Uma de minhas moradas no Brasil é lá em Minas Gerais no Vale do Matutu, e sempre que eu abria um trabalho espiritual lá, o tempo respondia com uma precisão de impressionar: era só cantar para a chuva e a chuva vinha; cantar para o vento e o vento vinha. Era impressionante como o tempo se manifestava com objetividade lá. Até que em 2008 cantamos para a chuva e a chuva não apareceu. Cantamos para o vento e o vento não apareceu. E aí eu falei: “Complicou!” Complicou porque o nosso trabalho é universal; ele ecoa no mundo inteiro.

Entramos num ciclo difícil de atravessar. Vem turbulência pela frente. Apertem os cintos porque nós vamos entrar numa área de grande turbulência. E hoje estamos lidando com essa situação, porque o clima, o tempo, é a expressão da perfeição Divina, e a nossa máscara coletiva – essa repressão tão profunda da nossa natureza – conseguiu alterar esse equilíbrio do tempo. Vemos aí governos, vários líderes financeiros, políticos e até as pessoas mais simples mesmo, que estão tendo que se responsabilizar por tudo isso que a gente criou.

Como eu falei, o tema é complexo. Tem uma série de interesses corporativos. Tem a questão do lixo, a questão do desmatamento, a questão da matança dos animais… É complexo, mas na raiz está esta distorção do valor do dinheiro; esse desequilíbrio do tripé: sexo, poder e dinheiro que sustenta essa mentirada toda. Toda essa loucura.

Pergunta: Amado Guruji, faz vinte e tantos anos que me diagnosticaram com transtorno esquizofrênico. Ou mais comumente falando, algo como esquizofrenia. Desde então tenho tomado quilos e quilos de medicação, psicofármacos, com todas as contradições físicas e psicológicas que isso traz. Tenho atualmente uma vida normal e estou interessada no desenvolvimento espiritual. Você pode me dizer se é possível parar de tomar esses medicamentos? Ou se o fato de tomar isso empobrece a vida do Espirito?

Prem Baba: A humanidade de uma forma geral tomada por essa inconsciência coletiva, que eu acabei de descrever, está acordando um transtorno esquizofrênico. Então podemos dizer que a humanidade está vivendo um transtorno esquizofrênico, mas não você. Eu discordo deste diagnóstico, mesmo sem estar te vendo aqui na minha frente. Até pela forma que você está se expressando aqui nesta mensagem. A esquizofrenia é uma coisa séria. Existe uma lesão no cérebro e você não tem contato com a realidade. É claro que é possível ter um episódio esquizofrênico, ter um transtorno sem ter uma lesão, mas o que eu sugiro para você é procurar outro médico. Procure um psiquiatra que tenha a visão um pouco mais aberta e que entenda um pouco também a respeito do Espirito.

Muitos surtos psicóticos são na verdade um desequilíbrio entre a velocidade da sua alma e do seu corpo. Um psicólogo que chamou esse desequilíbrio de “emergência espiritual” foi Stanislav Grof, um psiquiatra nascido na Tchecoslováquia. Ele foi um dos precursores da psicologia transpessoal e trouxe esse entendimento que determinados surtos, determinadas crises, são na verdade “emergências espirituais” que a pessoa está vivendo. O espírito está se expandindo numa velocidade, mas a personalidade, o corpo, tem limitações, devido aos condicionamentos, às crenças, aos choques. Aí se cria uma crise. E que em alguns casos não tem outro caminho a não ser medicar, porque precisa realmente atenuar os sintomas para que a pessoa tenha condições de continuar a integração. Mas em alguns casos a medicação acaba impedindo a integração.

Ele propõe que a pessoa atravesse essa crise, se aprofundando nela. Então, em vez de remédio, ele propõe algumas respirações, exercícios corporais, bioenergética e um trabalho psicoterápico bem forte. O trabalho com arte também, com mandalas. E muitos atravessam.

Mas isso é delicado, porque o fator mais importante é a sensibilidade do terapeuta. O mais importante é o diagnóstico. Por exemplo, vamos abrir de novo para o macro e vamos olhar essa pedra no rim do planeta que está lá no Brasil agora. Pedra no rim, com relação à crise hídrica, mas isso é só um sintoma. O Brasil está passando por um aperto que só Deus! Especialmente na economia. É uma doença gerada pela corrupção e obviamente equívocos mesmo, erros. E aí, o que a gente faz num caso desses? Dá o remédio para interromper a catarse? Ou bota o Brasil para fazer um renascimento? Para fazer uma respiração holotrópica? Bota o Brasil para fazer Bioenergética, tomar consciência desses erros e equívocos? Percebe como é delicado? O que fazer?

Então, voltando para o seu exemplo, procure um médico. Eu vou te ajudar a encontrar um médico que tenha uma visão mais aberta, mais integral. Depois de vinte anos tomando remédios você não sabe mais o que está te fazendo passar mal. Se tem uma doença é o remédio que está fazendo. Os efeitos colaterais são tremendos. Eu falo com propriedade, pois já fui um cientista lá atrás. Eu fui um psicólogo e já trabalhei com a loucura. Já estive em hospitais psiquiátricos, lidando com esquizofrênicos. Esquizofrenia é outra coisa.

Mas então, voltando em termos gerais, o mundo está precisando do remédio da honestidade. O mundo está precisando de Deus. E Deus é Verdade, Deus é Amor. O mundo está precisando de Verdade e de Amor.

Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos nos comprometer com o valor honestidade.

Até um próximo encontro.

NAMASTE.

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