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Sri Prem Baba: Quero hoje apresentar para vocês dois irmãos espirituais, que na linguagem do Sanatana Dharma chamamos de gurubai – que são irmãos espirituais por serem discípulos do mesmo mestre – que são o Ashok e o swami Triparti, que vieram lá da Índia, dos Himalaias, para ficarem conosco nesses dias. Mas eles não entendem o seu inglês, então eu vou pedir para a Lileshwari fazer a tradução, que é como se fosse um inglês abrasileirado, eles entendem melhor. São almas tremendamente dedicadas à missão Sachcha, conheci primeiramente o Ashok, que dedicou a vida a cuidar do Maharaji, a servi-lo, uma vida de serviço, depois Triparti que tive a alegria de conhecer, no dia que recebemos a missão de irmos juntos a Varanasi, para celebrar um Mahashivaratri, fomos juntos e ali criamos um laço profundo, ele também tem dedicado a sua vida a essa missão, conheceu o Sachcha Baba quando ele ainda estava no corpo e quando o Sachcha Baba deixou o corpo, ele passou a servir o Maharaj, e depois que o Maharaj deixou o corpo, ele tem estado comigo e tem, na medida do possível, dedicado o tempo para estar junto conosco para realizar cerimônias védicas, para ensinar sobre a cultura védica, falar sobre a linhagem Sachcha. Hoje ele está aqui conosco e tem vontade de falar um pouquinho. As pessoas estão rindo porque já sabem que isso é um grande desafio porque ele gosta de falar bastante, ele fica entusiasmado quando fica diante do público, mas combinamos que ele falaria uns 20 minutos, por que alguns dias atrás algumas pessoas queriam que ele falasse sobre a linhagem e chegamos ao entendimento que seria melhor que ele viesse no sábado, que teria mais gente.

(swami Triparti fala sobre a linhagem e sobre seu encontro com Sri Prem Baba e como vê Sri Prem Baba)

Sri Prem Baba: Muito obrigado, swamiji, por essas lindas e importantes palavras! Eu sinto que é muito importante que possamos criar esse espaço para que você possa falar bem à vontade sobre a linhagem, até para que possamos ter esse registro. É importante que tenhamos essa informação para que no futuro as pessoas possam ter ciência das suas raízes. Tenho vontade também de poder em algum momento propiciar esse Chandi Maha Yagna que é uma antiga forma de oração muito poderosa, que promove transformação e expansão da consciência. Mas precisamos primeiro amadurecer um pouco mais para isso, até para poder receber essa energia, para poder dar conta. O que eu estou fazendo é abrir caminhos para cada vez mais pessoas possam sustentar o êxtase, aprender a sustentar a luz do ser.

Nessa fase do trabalho, eu me sinto forjando os alicerces de um novo tempo, os alicerces de uma nova consciência, de uma nova maneira de viver a vida na Terra, digo ‘nova’ porque não tenho referências de um tempo em que a gente viveu aqui de uma forma amorosa; não tenho referências de um tempo aqui onde pudéssemos viver o prazer positivamente orientado. Olhando para a nossa história o que eu vejo é um mar de sangue; pelo menos nos últimos dez mil anos, que é onde nossa ciência antropológica consegue mapear e é o que a gente constata. Um ego ainda muito imaturo que acredita no poder do ódio, que precisa eliminar a ameaça e, portanto, precisa competir, disputar e guerrear para se sentir seguro.

Eu compartilho dessa visão de Sachcha Baba de que a missão pretende realizar algo inédito nesse planeta e essa se manifesta através de diversos canais. Há muitas pessoas dando passagem para esse plano divino e aqui, através de mim, estou abrindo caminhos, forjando os alicerces. O que inclui uma mutação celular, uma mudança na estrutura no seu sistema nervoso, de forma que você possa reaprender a se relacionar, de forma que você possa sustentar o coração aberto, mesmo quando você é desafiado, mesmo quando você é provocado. Que você possa realmente aprender a ouvir o seu coração, porque ele conhece o caminho da morada sagrada, que é um símbolo do estado de autorrealização.

Essa linhagem que o swami se refere é uma linhagem de yoguis que transmitem a ciência da liberação – de como viver o céu aqui na Terra, como se tornar senhor de sua própria mente, como usar os poderes da alma a favor da evolução. As histórias que ouvimos dos mestres que me antecederam são absolutamente incríveis, aquilo que eu vi e vivi com meu mestre foi absolutamente incrível, divino e transcendente. Ele criou uma esfera celestial em um terreno, um lugar aqui na Terra – só de entrar naquele lugar você se lembrava da sua realidade espiritual, pois ele transpirava essa santidade. As histórias são incríveis, por exemplo, Giri Nari Baba quando ficou velho largou seu corpo e pegou outro. São muitos os milagres. Mas tudo isso é consequência da evolução e você começa a evoluir quando você se autorresponsabiliza pelas suas falhas e é nisso que tenho trabalhado no momento. Por isso estou dizendo que estou fazendo uma fundação, forjando os alicerces, que é desenvolvendo sua autorresponsabilidade e te colocando no caminho da autorrealização, fazendo você compreender que está tudo dentro de você. Estou dando meu melhor para você acabar com o jogo de acusações, romper com a distração que se manifesta prioritariamente com a ideia que a felicidade está fora e depende do outro. Isso é o ABC da espiritualidade.

Você acha que o outro pode ser feliz por você? Não pode! Só você pode ser feliz por você, mas você acredita que depende do outro para ser feliz. É assim que você desperdiça aquilo de mais valioso que você tem, que é o tempo. Nessa fase eu estou dando o meu melhor para que você possa realmente colocar os pés no caminho, porque se você põe os pés no caminho você vai perceber que é levado – é um poder maior te leva. Por exemplo, no início eu te dou um mantra, como uma prática de purificação, de desenvolvimento da concentração, de lembrança de si mesmo. No início requer grande esforço fazer essa prática e você se dá conta de que as forças contrárias à evolução nesse plano são tremendas, mas quando você consegue atravessar essa zona de resistência, você percebe que o mantra trabalha sozinho dentro de você, percebe que tem um poder te levando; aquilo que não é do seu caminho sai, aquilo que é do seu caminho chega. O esforço é para você se colocar no caminho, estabelecer uma conexão firme, e assim você é levado. Eu considero que o principal obstáculo é essa estratégia da grande ilusão cósmica, que faz você acreditar que você depende do outro para ser feliz – eu estou sendo aqui o mais sintético possível. Eu considero que esse seja o grande resumo da ópera “Ópera Distração”, esse é o nome dela.

Nessa fase estou te levando a tomar consciência daquilo que te move: se há uma parte consciente em você querendo ir para um lado, mas você sem poder se dominar, vai para o lado contrário. Então nessa fase estou dando meu melhor para que você possa compreender que força é essa que te desvia do caminho consciente; a identificar esse sabotador da felicidade dentro de você. Porque enquanto você não identificar isso você continua a acreditar que a culpa está lá fora e se distrai com o jogo de acusações, esse é um nódulo kármico coletivo que precisamos atravessar.

Alguns dias atrás nós estávamos estudando os porões do inconsciente, estávamos corajosamente olhando para o nosso lado escuro e procurando identificar o que leva uma pessoa a trair alguém que ela ama e criar uma situação difícil para si mesma. Tivemos a chance de estudar bastante o assunto e abrir um espaço para a experiência, pois como eu disse: Mais que entender – que é intelectual – você precisa compreender através da experiência. Quem em você está escolhendo se machucar? Por quê? Enquanto você não compreende isso você se sente uma vítima e acredita que tem razão para acusar, procurar um culpado. Depois desse estudo e desse tempo de prática e de experiência, chegamos, então, a uma conclusão.

Pergunta: Amado Babaji, ontem meditei bastante sobre seu questionamento e simplesmente meu porão iluminou-se. A traição ocorreu impulsionada por um lado meu que sempre neguei: a submissão. Gratidão, Babaji, por ter me guiado nessa descoberta.

Sri Prem Baba: Aqui o planeta respira um pouco mais aliviado. Não é só você que respira mais aliviado – o planeta que respira mais aliviado! Porque somos um só, estamos todos conectados. Na medida em que você consegue cortar nem que seja um fio desse jogo de acusações e consegue enxergar o que em você está gerando o sofrimento e pode ir além disso, você pode em algum grau transformar esse sofrimento. Existe uma reação em cadeia, na qual você respira aliviado, seus pares respiram aliviados e isso vai se expandindo. O fato de você ter negado essa submissão, fazia com que ela agisse na sombra. Claro que quando não tem consciência disso, você vai sentir raiva todas as vezes que você se sentir humilhado. Se não tem consciência disso, você vai criar situações para se sentir humilhado e não vai perceber que as está criando, o que vai fazer você se sentir uma vítima, dando muita raiva e desejo de se vingar. Aqui você compreendeu um aspecto do ciclo viciado do sadomasoquista que opera no seu psiquismo. E na hora que você compreende, você sente o alívio, você sentiu que o porão se iluminou, e esse sentimento de iluminação quem te dá é a compreensão. Por isso, nessa fase do nosso trabalho estou colocando tanta energia nesse estudo que te leva a conhecer essas partes em você que estão relegadas à sombra e que estão te fazendo sofrer.

No entanto, por mais fundamental que seja essa fase do trabalho, ainda não é a parte mais importante dele. Essa fase é como se tivéssemos um tumor e fizéssemos uma cirurgia para eliminá-lo, ele é feito de autoengano, na base está a crença que a felicidade está fora, daí nasce o jogo de acusações, revanche, vingança e toda essa distração. Estamos em uma fase de cura, que significa compreender que está tudo dentro de você. Esse é o nódulo kármico que precisamos atravessar – assim como você está o tempo todo acusando seu filho, sua parceira, sua mãe, quem está ao seu redor – uma cidade acusa outra, um país acusa o outro. Então, para que possamos experienciar a união, temos que nos autorresponsabilizar pela nossa sombra e é só quando experienciarmos união que experienciaremos unidade. Assim a promessa de Sachcha se cumpre. Aí a onda se desfaz no mar, o rio se desagua no oceano. Esse é o trabalho.

Você está se sentindo atraído para realizar essa transformação. Você se sente atraído para esse lugar para receber energia para realizar essa transformação, mas como existem limitações materiais, estou fazendo um experimento de chegar onde você está pela internet. Há uns quatro dias estamos fazendo esse experimento, mais ou menos vinte mil pessoas estão conectadas conosco. São exigências do tempo.

Todos os dias ao final das nossas orações, nós invocamos essa mudança de consciência e termina a oração falando Parivartan, que é essa mudança de consciência, essa transformação. Estamos chamando por ela e ela está vindo. Claro que no nível pessoal essa transformação gera fricções e consequentemente no coletivo, mas as fricções no coletivo se originam nas fricções pessoais. E todas as fricções surgiram do apego ao sofrimento, que é um apego à falsa identidade, que é um apego ao jogo do sadomasoquismo. No exemplo que acabei de dar, a pessoa estava apegada a uma vingança, mas não sabia e quando identificou e compreendeu pôde soltá-la. Então, meu amigo amado, vamos seguir firmes nessa jornada de autoconhecimento e de libertação do cativeiro do sofrimento. Pouco a pouco vamos abrindo o caminho para o amor, que é quem nos liberta – você só se sente realmente livre quando está amando de forma realmente desinteressada.

Para quem não sabe Satya é uma palavra em sânscrito que significa ‘a verdade irrefutável’, é o que sobra depois que você se despe de todas as crenças, todos os conceitos, todos os preconceitos, aquilo que sobra é Satya.

Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos acessar a fonte eterna de Satya.

Até um próximo encontro.

Namaste.

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