Sri Prem Baba: Eu lhe convido a recolher-se em silêncio por um instante. Alinhe sua coluna; a cabeça no prolongamento da coluna, os olhos se fecham com suavidade e embora o corpo esteja alinhado, ele não está rígido e sim relaxado. Deixe os braços soltos sobre as pernas ou ao longo do corpo. Observe que os ombros estejam bem relaxados, também o rosto. Faça respirações suaves e profundas pelas narinas. A cada respiração sinta-se ocupando o seu corpo, colocando-se inteiro no momento presente. Permita-se escutar o silêncio. Quando o silêncio é rompido por algum som, você aceita, não se opõe, mas perceba que os sons que rompem o silêncio são sempre passageiros, o silêncio permanece. E perceba que esse em você que observa, tem a qualidade da permanência. Quando sentir vontade, lentamente abra os olhos e vamos seguir com os nossos estudos. Você diz assim:

Pergunta: Querido Baba. Há pouco eu te conheci e desde então, tenho buscado o propósito da minha existência, mas muito me assusta pensar em começar do zero novamente, pois parece que tudo o que fiz foi na direção contrária. É isso mesmo. Tudo o que fiz foi na direção contrária.

Sri Prem Baba: Esse é um momento abençoado, mesmo que seja bastante desafiador. Você começou a maior das aventuras possível – a descoberta de si mesmo. Você está se tornando um explorador da consciência. Claro que esse processo, por mais fundamental e necessário que seja, tem desafios e tem armadilhas. Uma das armadilhas são as ilusões criadas pelo tempo psicológico. Você, identificada com o tempo psicológico, pode julgar-se velho, pode julgar-se jovem, pode acreditar na impossibilidade de chegar em algum lugar dentro de você que te possibilite respirar livremente.

Uma das armadilhas é a desesperança; assim como a esperança mágica também é uma armadilha. A minha sugestão é que você se firme no processo; no processo de desvendamento do Ser e, na medida em que o Ser vai se revelando, ele também vai mostrando a direção; vai deixando claro onde ele quer estar e o que ele quer fazer. Propósito é um perfume da alma; é intrínseco ao Ser.

O propósito se revela quando você está consciente do Ser. E não importa se você tenha construído um império a partir da máscara, porque quando você começa a se revelar e a mostrar-se a que ele veio e porque veio; naturalmente ocorre um realinhamento. Você não deve se preocupar com o realinhamento antes do Ser se revelar. Você deve trabalhar para que o Ser se revele, para ir despindo-se dos medos; despindo-se das camadas de ódio, dos pactos de vingança, tratando de harmonizar-se com os seus pares, tratando de reparar as suas relações; chegando em um acordo com as partes da personalidade que você acabou deixando de lado, as partes de você que você se envergonha. Assim você vai, aos poucos, tomando consciência do Ser e, consequentemente, do programa de realização que ele traz. Não existe tal coisa como: “é tarde para recomeçar!” Isso não existe. É uma ilusão criada pela mente humana.

Eu compreendo que o corpo tenha marcas e limitações, mas à medida em que o Ser começa a se revelar, vem junto uma tremenda criatividade, uma tremenda inteligência, que encontra caminhos para essa realização. Eu digo que esse momento é abençoado porque eu compreendo que você está aqui para realizar essa aventura. Se até agora você não teve a chance de fazer aquilo que você veio aqui para fazer e agora você está tomando consciência disso, louvado seja esse momento, em que você está tomando consciência das suas insatisfações; tomando consciência daquilo que você gostaria que fosse diferente na sua vida, tomando consciência desse desencaixe.

É possível sim que essa conscientização se dê num momento em que você se sinta cansado, mas esse cansaço é um sintoma da doença chamada desencaixe. Porque o desencaixe é como uma doença. Você está no mundo fazendo algo que não é aquilo que você veio para fazer; isso gera uma série de sintomas, desde os sintomas mais subjetivos até sintomas bem concretos. E um dos sintomas é o cansaço e até mesmo um ceticismo em relação à possibilidade de você poder ser feliz e realizar o propósito da alma. Mas, à medida em você vai se afinando com o Ser, esse cansaço vai se dissolvendo; assim como outros sintomas vão se dissolvendo, inclusive os sintomas na forma de doenças físicas.

As doenças que vão surgindo, eu considero sintomas desse distanciamento da sua natureza; inclusive a depressão, a ansiedade descontrolada e todos os outros distúrbios que estão são comuns nesse ciclo do tempo. São sintomas desse afastamento da sua natureza e, consequentemente, do afastamento da natureza; porque a sua natureza e a natureza são uma coisa só. Doença é um produto do afastamento da natureza. À medida em que você começa a voltar para a sua natureza, começa a se alinhar com o dharma, com a grande lei universal do amor; você começa a se curar e curar-se, inclusive, desse cansaço, desse ceticismo. Porque aqui e agora não existe cansaço, não existem limitações. Aonde não? Por que não? Se você está em harmonia com o fluxo, se você se torna um canal da existência, um canal do amor – que é o perfume da vida – não surgem pensamentos limitantes.

O que eu proponho é que você dê o seu melhor para essa aventura de descobrir a si mesmo, que é outra maneira de dizer lembrança de si mesmo. E, à medida em que você vai lembrando de si mesmo, você se conscientiza de onde é o seu lugar.

Eu tenho sugerido uma oração na forma do diálogo; você dialogando com o grande Mistério que se manifesta através de você, na forma do seu eu interior mais profundo. Às vezes você ainda não está podendo acessá-lo e a oração se torna um meio de se aproximar e você pode orar assim: “O que você quer de mim? Onde você quer que eu esteja? O que você quer de mim? Onde você quer que eu esteja?”

Se você prefere dar o nome de Deus para esse eu interior mais profundo, fique à vontade: “Deus, o que você quer de mim? Onde você quer que eu esteja?” Claro que é possível que a resposta cause algum impacto, especialmente se você moveu na direção contrária por muito tempo. Você precisa de paciência para fazer essa afinação. Acontece. Já vi casos em que a pessoa tomou consciência de que a vida toda dela era uma grande mentira. O casamento transformou-se numa grande mentira, porque acabou se casando de uma forma inconsciente e permanece na relação por medo de encarar a solidão, de ficar sozinha, das consequências da separação; descobre que está num trabalho que ela não queria estar, e está ali por medo de não ter suas necessidades atendidas.

Essa hora realmente não é tão simples. Isso acontece para alguns. É como se uma venda fosse retirada dos olhos e de repente a pessoa passa enxergar aquilo que antes não enxergava e ela vai precisar de paciência, firmeza, compaixão, muita criatividade para lidar com esse reajuste. E, às vezes, não precisa de uma mudança radical, porque na medida em que você muda internamente e começa a tornar-se mais amoroso, começa a abrir espaço dentro de você para a confiança e começa a responsabilizar-se por suas escolhas, por suas decisões, você compreende que as coisas podem acontecer de forma gradual e que às vezes você precisa fazer alguns sacrifícios; porque você precisa dar conta do karma que você criou, mas você vai receber o auxílio, vai receber suporte necessário para realizar essa transição.

Muitos de nós fomos inspirados pela história de Sidharta que quando tomou consciência da insatisfação, largou a família e o império dele e foi atrás da verdade; mas nem para todos isso funciona, porque às vezes a sua angustia aumenta ainda mais. A questão é você estar consciente do que é que está te movendo. Quem em você quer ir para a direita ou para a esquerda?

Mas também é possível que, ao acessar essa clareza a respeito das suas escolhas, você queira realmente dar uma guinada na vida. Se isso for necessário, realmente necessário, isso vai acontecer e você não vai controlar. Portanto, eu sinto que você não precisa preocupar-se em começar a sua vida do zero. Isso é uma armadilha da caminhada; um truque o eu sofredor para te pegar e continuar tirando energia de você.

Perceba o tanto de pensamento que você já produziu desde que começou a preocupar-se com isso; quanta preocupação você já reproduziu, tanto stress desde que você começou a preocupar-se: “Será que eu vou da conta de recomeçar a minha vida?” Perceba que essa estratégia do eu sofredor nasce quando você sai da presença. Você foi para o futuro. Você está entre o passado e o futuro. E aquilo que é verdadeiro nasce da presença. O propósito maior da alma revela-se na presença. Tenha calma. Foque no desvendar do amor. Foque em remover as capas que te impedem de amar; amar a Terra e a todos os filhos dela. E à medida em que o amor vai se revelando, naturalmente essa afinação acontece. Você vai tomando consciência dos seus dons, dos seus talentos e vai tornando-se consciente do propósito. “Onde é que Deus quer que eu esteja nesse momento?” E aí você vai com alegria, colocando-se a serviço. Quando você está realmente a serviço, sua ação não deixa rastros. Porque essa ação é o próprio amor em movimento, não é mais uma reação, não é mais o passado agindo através de você. Calma e tranquilidade para receber o amor.

Mais uma preocupação. Você pergunta:

Pergunta: Quanto mais me espiritualizo, menos vontade e menos penso em sexo. Devo me preocupar?

Sri Prem Baba: Acho que o salão respondeu sua pergunta (risos). Abandone as suas preocupações, trate de ancorar a presença. A questão é se você está bem, verdadeiramente bem.

Muito bem meus amados amigos. Estamos entrando no último ciclo da nossa temporada. Impressionante como passou rápido e ao mesmo tempo parece que estamos aqui há séculos. É um paradoxo. Tocamos um paradoxo que é o tempo.

Quero compartilhar umas palavras finais. Eu sei que muitos de vocês vieram aqui para receber o darshan para alimentar a chama da conexão, só para estar sentadinho aqui comigo; mas muitos vieram em busca de cura; em busca de orientação, em busca de clareza, alguns em busca até mesmo de um milagre. Eu sinto que esse último ciclo da temporada ainda pode ser bastante intenso, porque vamos abrir essa oportunidade, vamos abrir esse portal de cura e aqueles que estão em busca deste algo mais, a minha sugestão é que se recolha o máximo possível, não se distraia com conversas desnecessárias, curta a natureza, tome os seus banhos de cachoeira e de sol, mas não se distraia com conversas desnecessárias. Fique consigo mesmo o maior tempo possível.

Abençoado seja cada um de vocês. Que o amor e a sabedoria iluminem cada passo da sua caminhada. Até um próximo encontro.

NAMASTE

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