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Sri Prem Baba: Tem uma pessoa brava porque é dito pela manhã, antes do satsang, que todas as fotos e vídeos feitos aqui serão compartilhados nos canais e mídias do Awaken Love, e quase nenhuma foto foi compartilhada publicamente. Tudo que é dito que está sendo feito, está sendo feito. Mas não no ritmo que gostaríamos, porque nos faltam braços para isso. O trabalho é quase totalmente voluntário e por isso existe deficiência em diversas áreas, uma delas é o audiovisual. Minha sugestão é que você lide com essa situação da seguinte maneira: “Como eu posso ajudar? Como eu posso colaborar para que esse material se disponibilize o mais rápido possível?” Em todas as demais áreas que você perceber deficiência, eu sugiro que você lide dessa maneira, porque somente criticando você não vai ajudar. Você ajuda se você se doa. “Como eu posso colaborar? Como eu posso fazer isso melhorar?”. Eu sinto que essa é uma maneira que pode fazer tudo crescer e prosperar, não só aqui, mas em qualquer situação da vida.

Lembre-se, quando você se percebe reclamando, sua consciência está começando a cair e você começa a entrar em lugares ruins dentro de você. Começa a abrir as portas para a irritação, impaciência, acusação e um monte de negatividade. Você poderia evitar isso caso tivesse outra postura em relação ao que está identificando que não está bom. É fato que, às vezes, iremos nos deparar com coisas que não estão boas, não estão funcionando como deveriam. Você tem a opção de lidar com isso de uma forma negativa ou de uma forma positiva. A negativa é você acusar, achar defeitos e criticar. A forma positiva é se perguntando: “Como eu posso colaborar para fazer isso melhorar?”. Assim você coloca seu melhor em movimento, isso vai atrair o melhor de outros e a gente acaba conseguindo realizar aquilo que queremos realizar, especialmente aqui, que há muita boa vontade. Só não fazemos mais porque não temos condição de fazer, mas, mesmo com todas as limitações, temos feito muitas coisas maravilhosas. Mesmo nas áreas que há deficiência, ainda tem muita coisa maravilhosa acontecendo, até na área de audiovisual que está deficiente no momento.

Eu procuro sempre olhar o copo meio cheio. Não têm as milhares de fotos, mas têm várias, é o que temos, ótimo! Melhor ter algumas do que não ter nada. É assim que eu vivo, procuro ver o bom nas coisas e com isso não me atrapalho com nada. Não quer dizer que estou fechando os olhos para aquilo que está faltando ou para aquilo não está bom, estou vendo, mas cada um só dá o que pode, devemos ter consciência de nossas limitações. Nesse sentido, mesmo com as limitações, muitas coisas maravilhosas estão sendo feitas.

Eu recebi uma notícia muito boa pela manhã. Nesse mês de junho, tão atribulado, tão conturbado e tão intenso, olha que notícia boa, isso vem do meu editor: “É com grande prazer que anuncio a sexta edição do livro “Propósito”, que chegou ao total de 120 mil livros impressos em oito meses”, e também recebemos a nova edição do “Transformando o sofrimento em alegria”. Prefiro ver isso, coloco minha mente nas coisas que estão dando certo. As coisas que não estão dando certo, vamos devagarinho consertando na medida do possível.

Eu falei que esse ano dedicaria bastante energia para tema do propósito, e sinto que está acontecendo. Estou escolhendo aqui responder uma pergunta que está relacionada aos bloqueios que nos impedem de estar consciente do nosso propósito, ontem eu falei a respeito das vergonhas e hoje você me pergunta;

Pergunta: E quando a vergonha é do nosso melhor, do eu superior? Quando temos vergonha de brilhar? Você pode falar um pouco sobre isso?

Sri Prem Baba: Essa é uma questão realmente importante, especialmente porque essa vergonha pode travar o fluxo do amor e impedir que você se torne consciente do propósito. Essa vergonha normalmente se manifesta associada a um medo: o medo da sua grandeza. A vergonha da sua grandeza está sempre conectada a um medo dessa grandeza. Eu lhe pergunto: se você permitisse que essa grandeza se manifestasse, o que poderia acontecer? Qual a sua fantasia a respeito do assunto? Se você permitisse que todos os seus dons se revelassem, se todo o seu potencial fosse colocado em movimento, o que você acha que pode acontecer?

Você deve ter uma história para contar sobre isso, deve ter uma fantasia sobre o assunto. Eu tenho observado que, de uma forma geral, muitos têm medo de superar os pais e os irmãos, e com isso acabar se desligando da família. Alguns chegam a carregar uma culpa por estar dando certo, porque estão conseguindo e a família não. “Como posso dar certo se meu pai não está dando tão certo? Como posso ser feliz, se minha mãe não está feliz? Como eu posso ter dinheiro e conforto se meus irmãos estão padecendo na miséria?”

Não estou dizendo que essa teoria explica todos os fenômenos da vergonha e do medo da grandeza, mas a grande maioria deles. Interessante notar que em alguns casos, depois de um grande trabalho sobre si mesmo, quando a pessoa começa a aceitar sua grandeza, começa a dar passagem para o seu propósito e para a prosperidade, ela vai visitar a família e afunda. É incrível, já vi isso acontecer várias vezes. Ela vai passar o final de semana com a família e sai carregando o peso do mundo nas costas, uma tristeza que não sabe de onde vem e uma culpa que não se explica. Não que tenha algo errado com a família e nem com o fato de você estar visitando sua família, mas o que está errado é você querer carregar a família nas costas, você se sentir culpado de estar dando certo e sua família não. Isso significa que há questões que não foram compreendidas e elaboradas com relação à sua família. Você tem medo de voar e, consequentemente, vergonha da capacidade de voar porque talvez sua família não esteja podendo voar. Eu sinto que, nesse caso, é importante você se aprofundar no estudo dessa vergonha e desse medo, porque é verdade que essa vergonha e esse medo da sua grandeza podem ser um grande bloqueio.

Aqui não estamos falando de um medo relacionado à impotência, estamos falando do medo da potência. Você se sente inadequado ao manifestar o seu brilho. Além da sua família, é possível que haja algumas contas abertas com relação a amizades na sua infância. Talvez você tenha passado alguma dificuldade ao revelar o seu poder, o seu brilho. Está me vindo à mente uma situação onde uma menininha não pode mostrar o brilho dela, porque os amiguinhos a rejeitam, têm inveja e ela prefere recolher para manter as amizades por perto. Estou vendo nascer uma vergonha do próprio brilho, uma vergonha da grandeza. Isso pode limitar uma pessoa pela vida toda. Ela não sabe explicar, mas quando vai colocar o melhor dela em movimento tem o desconforto, que é o perigo de ser rejeitada, o perigo de ser excluída do grupo. Essa vergonha está relacionada ao medo de superar os pares, que podem ser os pais, irmãos ou amigos, mas é sempre um medo do isolamento e da exclusão.

Isso é incrível, não é? A pessoa desenvolver uma crença de que o brilho dela vai gerar exclusão e ter que se conter e demonstrar ser menor que ela é para se sentir aceita. Sempre que você se permite fluir e, consequentemente, prosperar em vários aspectos, há uma culpa no fundo. Eu considero que o medo do prazer acaba sendo mais difícil de lidar que o medo da dor, porque é mais profundo. O medo do sofrimento é mais superficial. Quando você vê o prazer como um perigo – inclusive o prazer de ser você mesmo e poder mostrar sua grandeza – fica complicado, mais difícil de lidar. De quem você está esperando amor? De quem você está esperando consideração e acredita que não pode superá-lo? Porque isso coloca em risco você conseguir receber esse amor e essa consideração.

Com isso estamos vendo que essa vergonha da grandeza tem base em uma fenda no seu corpo emocional, onde você está esperando alguma coisa de alguém. A esperança de receber esse amor é tão grande que você chega ao ponto de se sabotar, de não permitir a sua grandeza, para recebê-lo. Que maluco isso, né? É incrível como a mente funciona. Você terá que localizar isso dentro de você, reparar essa fenda, reparar essa relação para que você se sinta abençoado para se expandir. É como se você estivesse esperando uma permissão para se expandir, esperando uma benção da mãe, do pai, dos amigos, dos irmãos para você poder revelar ao mundo seus dons, seus talentos, sua grandeza. Há pessoas que não conseguem revelar porque não se sentem permitidas, elas não receberam a benção, a permissão de revelar essa grandeza. O karma não permitiu que tivessem pais generosos para dizer: “Filho, entregue ao mundo seu tesouro, mesmo que eu não tenha conseguido. Compartilhe sua grandeza com o mundo, mesmo que eu não tenha conseguido”. Eu tive esse bom karma, minha avó me deu isso. Não é impressionante o poder do amor? Abre um caminho, te dá permissão para subir.

Em outras palavras, estamos falando que a vergonha da grandeza está conectada com o medo da exclusão. Vá atrás dessa crença dentro de você que diz que se você for grande, será excluído. Claro que se você tem uma crença como essa, não consegue se tornar consciente do propósito maior da sua alma, porque o propósito te faz grande. Não estou querendo falar de fama ou de poder, grande na habilidade de se expandir além dos limites do ego. Às vezes você não se permite nem mesmo revelar a grandeza do seu perdão, fica preso numa picuinha ou numa vingança sem sentido. A grandeza do amor é presa numa crença de que você não é capaz de amar ou de perdoar certas coisas porque, de repente, se você manifestar um amor desse tamanho, se torna divino. Já pensou no problema? Você pau a pau com Jesus Cristo? Com Prem Baba? Com outros mestres? Claro que tem aquele que pensa: “Prem Baba está se comparando a Jesus Cristo.” Se eu não provocar suas crenças, quem vai provocar? Somos capazes de um perdão infinito, de um amor infinito, de coisas incríveis. Qual a raiz dessa vergonha e desse medo? Vá atrás de identificar.

Interessante que um fenômeno tão simples me trouxe à mente outra possibilidade, quando a criança começa a manifestar seus dons e talentos e há a inabilidade dos pais em querer mostrar isso rapidamente para o mundo. Ali a criança passa por uma situação em que se machuca. Ela não dá conta de tanta energia em cima dela, todo mundo achando o máximo. Isso machuca e ela acaba criando um bloqueio, cria vergonha para se proteger da dor de ter tanta energia em cima dela. Quanta coisa, né?

Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos superar nossas vergonhas e revelar a grandeza do nosso coração.

Até um próximo encontro.

NAMASTE

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